domingo, 18 de maio de 2014

Calafrio

Por entre as frestas
da janela aberta
o vento invade
o ambiente alheio:
o frio cortante
atravessa a carne
como a vingança
atravessa o seio.
E o corpo oscila
com este receio...

(Será aviso?
ou devaneio?)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Fam(íli)a

entre parent(es)es
não se diz uma (vír)gula
não se confessa uma (dú)vida
nem se conta uma (fá)bula

- e se (inter)roga, em oração,
a liberdade do pre(ju)dicado...

sábado, 5 de abril de 2014

Chuviscos (II)

                         Ao Pessoa

já não sei se chuva ou pôr-do-sol:
só sei que o tempo é determinante.

domingo, 30 de março de 2014

Êxtase

...e em um décimo de segundo
tangenciando o infinito
eu me sinto tocar a vida,
a alma, o âmago e o abismo!

e é tanta chama, tanto lastro,
tanto rio de concretude
que até me sinto alcançar
a mais completa plenitude!

e inicio um reencontro
interior e anterior
e avisto o meu passado
 mas sem raiva!
e sem rancor!

pois cá vivo num momento
de deslumbre e de luto...
(até quando dura a hora
em que contemplo
o absoluto?)

domingo, 23 de março de 2014

Chuviscos

chove cá dentro de mim também:
é chuva mansa, acolhedora,
da lembrança do que já passamos juntas.

dessa nossa ferida inicial,
da aproximação repentina e imediata
- da simplicidade tão almejada de infância! -
e do amadurecimento tardio e doloroso...

-- sabe que essa tristeza é minha favorita?

Sintaxe

A poesia
tem maneiras
muito próprias
de expressão:
certamente
ela obedece
à sintaxe
da emoção...

Das flores...

Das flores que trago nas mãos...
Uma, o meu dedo espeta!
Outra, minha face enrubesce!
E outra, meu riso desperta...

Mas esta flor invisível...
Esta, que sempre me atenta,
Esta, que nunca me esquece...

Bem sei: é perpétua!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Epitáfio

Li as letras
daquela lápide
(que tão latente
me dizia):
que teu corpo,
abandonado,
tão friamente
ali jazia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Chocolate

E qual a graça do chocolate
guardado na geladeira?
Eu particularmente prefiro
quando posso comer um chocolate
- ao leite, por favor! -
e senti-lo derreter por dentro.

E até de senti-lo grudar nos dedos.

Gosto desta transferência de calor,
do desprendimento de átomos
que se soltam e se espaçam,
e que se ligam à pele pelo simples
contato das mãos.

Não sei, mas acho que, quando frio,
o chocolate também é friamente engolido:
sem ser saboreado ao certo.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quando de você...

Quando de você me despeço
e em meu coração desfaleço
minha tristeza eu não meço
nem oculto o meu desespero

Sinto a brisa suave de outono
e o farfalhar frágil das folhas
sinto a falta do seu conforto,
do seu carinho, da sua força

E de tudo ecoa uma melodia
harmônica, mas muito triste
parece, pois, que só existe
você para alegrar meu dia...