sábado, 31 de agosto de 2013

Paradoxo

Não gosto de
enjambements
...nem reticências
ou pontos finais.

(Mas gosto de aspas,
de alfinetes,
e de poemas que terminam em rimas)

Eu era menino...

Eu era menino
e tu me observavas:
tu me olhavas com carinho
(tal qual se olha um filho)
e eu, em teus olhos, repousava.

Eu era menino
e tu me afagavas
quando veio um passarinho
(caído de seu ninho)
e pousou, em mim, tuas asas.

E eu era menino
e tu e o passarinho
ficáramos, ali, frágeis:

Cada qual com sua história
entrelaçadas na memória
daquelas tardes agradáveis.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

À inutilidade

Se me dizes que detestas flores
não gostas de outonos
nem vês urgência de árvores

Ficarei quieta,
pois o que adianta tentar explicar o equilíbrio,
a beleza e a simbiose da natureza
para alguém que só pensa em
vantagens a curto prazo?

Fazer poético

Poema, pra mim,
não há de ser pedra
não há de ser cálculo
não há de ser método

(a função da pedra, não sei
- nem hei de negá-la a
uma instância)

mas poema, pra mim,
há de ser alma, há de ser água,
há de ser fúria...

e há de ser tanto dizer
que reduzi-lo a uma fórmula
é extrair-lhe a própria
substância

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Consumismo

Consome-se a todo custo. Consome-se a toda hora.
Consome-se toda a fauna. Consome-se toda a flora.
Consome-se a todo o dia. Consome-se a todo segundo
Consome-se toda a vida, e todo o mundo.

Consome-se toda droga. Consome-se todo remédio.
Consome-se toda a mídia. Consome-se todo o tédio.

Consome-se todo vício. Consome-se todo ego.
Consome-se todo o vazio. Consome-se o todo
[supérfluo.

E assim a humanidade tem consumido
a si mesma.

Circunstâncias

enquanto for escravo de
um sistema que ostraciza
(e quer mantê-lo alienado
dependente e hedonista)
perderá, assim, o homem
a sua alma, sua essência:
assistindo ao espetáculo
de sua própria decadência.

"viverás só de prazeres
- felicidades instantâneas!
desejarás satisfazer somente
as ânsias momentâneas"