sábado, 27 de abril de 2013

Metáfora

    Teus versos
           são da singeleza
                  de uma pequena flor.

Menina-sereia

Sereia da terra
  Menina do mar
     Menina-poeta
        Sereia a rimar

        Sereia concreta
      Menina a sonhar
    Menina-materna
 Sereia a cantar

Sereia pacata
  Menina a amar
     Menina discreta
        Sereia a olhar

     Sereia inquieta
    Menina a dizer:
 "Sou sereia-menina
 e menina-mulher!"

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Menina-flor

Se neste estado ambíguo
- meio flor meio menina -
estiveres se sentindo
assim, meio murchinha...

Não esqueças que aqui há
um grande e belo jardim!
Repleto de flores:
rosas camélias jasmins.

cujas folhas são regadas
com a água que te apraz!
Mas serão todas carregadas
pelos ventos que aqui faz.

- Vai com elas, menina!
Não deixe as raízes
crescerem demais...
­­Desprenda-te delas,
e deixe-as para trás!

E espera pelo orvalho
renovar-te de frescura

(Somente assim
hás de encontrar
a serenidade que
procuras!...)

Po(e)mar

Nasci num (po)mar de versos:
Sou água, sou mel, sou rosa.
Sou a narrativa em prosa
Do poema em que desperto.

Sou a metáfora contida
A água que flui, o rio que corre
Rosa que (en)canta, mel que escorre
Do poema de que estou convicta.

Flor, favo e fluxo:
Sou poema em (dis)curso

Poema existencial

Procurando a razão da existência
Daquilo que em mim é distintivo
(E que é de fato minha qualidade)
Encontrei, de um modo intuitivo,
Aquilo que eu sou em essência
- Senão minha própria identidade.

Parto em busca de mim mesma
Percorrendo longa distância
Mas já não sei se, com certeza,
Ainda sou o que era antes.

Pois fazer uma revolução interna
Depois de tantas alusões
É exercício de inconstância
E da relatividade de (in)definições.