quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quando de você...

Quando de você me despeço
e em meu coração desfaleço
minha tristeza eu não meço
nem oculto o meu desespero

Sinto a brisa suave de outono
e o farfalhar frágil das folhas
sinto a falta do seu conforto,
do seu carinho, da sua força

E de tudo ecoa uma melodia
harmônica, mas muito triste
parece, pois, que só existe
você para alegrar meu dia...

sábado, 31 de agosto de 2013

Paradoxo

Não gosto de
enjambements
...nem reticências
ou pontos finais.

(Mas gosto de aspas,
de alfinetes,
e de poemas que terminam em rimas)

Eu era menino...

Eu era menino
e tu me observavas:
tu me olhavas com carinho
(tal qual se olha um filho)
e eu, em teus olhos, repousava.

Eu era menino
e tu me afagavas
quando veio um passarinho
(caído de seu ninho)
e pousou, em mim, tuas asas.

E eu era menino
e tu e o passarinho
ficáramos, ali, frágeis:

Cada qual com sua história
entrelaçadas na memória
daquelas tardes agradáveis.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

À inutilidade

Se me dizes que detestas flores
não gostas de outonos
nem vês urgência de árvores

Ficarei quieta,
pois o que adianta tentar explicar o equilíbrio,
a beleza e a simbiose da natureza
para alguém que só pensa em
vantagens a curto prazo?

Fazer poético

Poema, pra mim,
não há de ser pedra
não há de ser cálculo
não há de ser método

(a função da pedra, não sei
- nem hei de negá-la a
uma instância)

mas poema, pra mim,
há de ser alma, há de ser água,
há de ser fúria...

e há de ser tanto dizer
que reduzi-lo a uma fórmula
é extrair-lhe a própria
substância

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Consumismo

Consome-se a todo custo. Consome-se a toda hora.
Consome-se toda a fauna. Consome-se toda a flora.
Consome-se a todo o dia. Consome-se a todo segundo
Consome-se toda a vida, e todo o mundo.

Consome-se toda droga. Consome-se todo remédio.
Consome-se toda a mídia. Consome-se todo o tédio.

Consome-se todo vício. Consome-se todo ego.
Consome-se todo o vazio. Consome-se o todo
[supérfluo.

E assim a humanidade tem consumido
a si mesma.

Circunstâncias

enquanto for escravo de
um sistema que ostraciza
(e quer mantê-lo alienado
dependente e hedonista)
perderá, assim, o homem
a sua alma, sua essência:
assistindo ao espetáculo
de sua própria decadência.

"viverás só de prazeres
- felicidades instantâneas!
desejarás satisfazer somente
as ânsias momentâneas"

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Apelidos

Marina
que ainda menina
virou só "Nina"

mas que na China
virou "Malina!"

Expressão

Posso até ter a proeza
de escrever em prosa
o que penso

mas meu coração
só quer saber
do que é poesia

Rito matrimonial

Eu lhe prometo ser fiel
E amar-te e respeitar-te
(mas posso ser bem cruel
e tirar-te a liberdade)

E te prometo o meu amor
Na saúde e na doença
(mas aviso que não tenho
uma grande paciência)

E que a nossa união
Possa ser o nosso abrigo
(me desculpe só se sou
um tanto quanto insensível)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Saudades

Saudades
de te abraçar
e te sentir
perto de mim
encostar meu rosto
no teu ombro
e dançar ao som
de stand by me

Saudades
de te olhar nos olhos
e notar o quão claros
eles são
(teus olhos
me dizem coisas
que vêm
do teu coração)

Saudades
de poder ouvir
teu batimento
no teu peito
Saudades
de te aninhar
no meu ninho,
do meu jeito

Saudades da
tua companhia!
Saudades de
te ver sorrir
Saudades do
nosso amor
Saudades
enfim de ti...

Poema ao moço

Eu aceito ser sua namorada
Eu aceito ser sua amante
Nada me faria mais feliz
nesse instante

Eu quero ser sua companhia
Eu quero ser sua confidente
Por você posso ser
muito paciente

É que eu gosto demais d'ocê, moço...
E já não sei pensar em mim
sem seu apreço
- nem seu gosto

domingo, 12 de maio de 2013

Gêneses

Alguém me devolva pro mar
d'onde eu vim...
O mar me traz as saudades
dessas tardes que eu não vivi...
O mar me traz as lembranças
dessas danças que eu não assisti...
O mar me traz coisas boas
dos barcos que chegam ali.

Alguém me devolva pro mar
que é horizonte sem fim...
O mar me viu pequena
(mas pequeno se é perto
da grandeza do mar!)
O mar me fez amena
que é pra gente, junto,
poder num barco velejar.

Quem me dera voltar ao mar!
E de vez em quando surgir
na superfície para respirar.
E de vez em quando sair
só para rever aqueles
que não nasceram no mar.

Alguém por favor
me devolva pra lá?

sábado, 4 de maio de 2013

Definição poética

poesia não é
exclusividade
dos poemas
(esses conjuntos
de palavras espaciais
distribuídas em
versos arbitrários)

mas sim
tudo o que há de belo
tocante e singular
aos olhos da mera
sensibilidade humana

Conjugações

E quem diria
que eu te conheceria
e que um dia ainda
me apaixonaria?

E há quem dissesse
que se eu não quissesse
isso tudo houvesse
de nunca existir...

(Como se adiantasse
lutar contra a vontade
de te ter aqui!)

É que esse sentimento
me é infitivo, imperativo,
indicativo, subjuntivo,
e eu sou um simples verbo...

sábado, 27 de abril de 2013

Metáfora

    Teus versos
           são da singeleza
                  de uma pequena flor.

Menina-sereia

Sereia da terra
  Menina do mar
     Menina-poeta
        Sereia a rimar

        Sereia concreta
      Menina a sonhar
    Menina-materna
 Sereia a cantar

Sereia pacata
  Menina a amar
     Menina discreta
        Sereia a olhar

     Sereia inquieta
    Menina a dizer:
 "Sou sereia-menina
 e menina-mulher!"

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Menina-flor

Se neste estado ambíguo
- meio flor meio menina -
estiveres se sentindo
assim, meio murchinha...

Não esqueças que aqui há
um grande e belo jardim!
Repleto de flores:
rosas camélias jasmins.

cujas folhas são regadas
com a água que te apraz!
Mas serão todas carregadas
pelos ventos que aqui faz.

- Vai com elas, menina!
Não deixe as raízes
crescerem demais...
­­Desprenda-te delas,
e deixe-as para trás!

E espera pelo orvalho
renovar-te de frescura

(Somente assim
hás de encontrar
a serenidade que
procuras!...)

Po(e)mar

Nasci num (po)mar de versos:
Sou água, sou mel, sou rosa.
Sou a narrativa em prosa
Do poema em que desperto.

Sou a metáfora contida
A água que flui, o rio que corre
Rosa que (en)canta, mel que escorre
Do poema de que estou convicta.

Flor, favo e fluxo:
Sou poema em (dis)curso

Poema existencial

Procurando a razão da existência
Daquilo que em mim é distintivo
(E que é de fato minha qualidade)
Encontrei, de um modo intuitivo,
Aquilo que eu sou em essência
- Senão minha própria identidade.

Parto em busca de mim mesma
Percorrendo longa distância
Mas já não sei se, com certeza,
Ainda sou o que era antes.

Pois fazer uma revolução interna
Depois de tantas alusões
É exercício de inconstância
E da relatividade de (in)definições.